Estive em um velório


Estes dias estive em um velório.

Não foi o primeiro, e nem o último.

Eu notei, já há algum tempo, que sou sempre uma das poucas pessoas que sorri em funerais.

Talvez porque eu também pense nesse momento como pensavam os estoicos: o momento da morte é também um momento de celebração da vida.

Da vida que passou, dos laços e momentos, bons ou ruins, que vem e que vão.

Vita brevis – a vida é curta – dizem Sêneca, Hipócrates, Santo Augustinho de Hipona e até mesmo Marisa Monte.

Entre outras palavras de consolo, nós ouvimos que

– “A Graça da Vida é nos dada em conta-gotas.”-

Nós não sabemos, nem mesmo, se estaremos vivos no próximo segundo.

Só nos resta, então, Viver, com Propósito, com Intenção, com Presença, cada gota.

2 Comentários

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  1. 1
    Cristina Martins de Carvalho

    Velórios são sempre momentos singulares, nele tem-se a experiência do foco, sim, no velório por um momento as pessoas param, e de fato são presença plena, diante de quem ali está, e para quem chega, acontece o foco da reflexão por um segundo sobre o paradoxo da finitude e eternidade da vida e ali por um momento percebemos o quão igual somos todos, e pronto, desvanece o foco e já voltamos a ser os detentores do poder sobre a vida. E enquanto estão no velório, alguns permitem-se refletir sobre si mesmo, valores, urgências e saem melhores a cada velório, outros cumprindo dever social,sim ir a velórios é as vezes dever social, analisam , como se tivessem direito para isso, a vida de quem partiu, morreu, desencarnou, fez a passagem , subiu, o nome depende da crença de cada um, o fato é que aquele momento do foco deixa de ser vivido porque o “deus” ali presente julga-se sempre superior à morte e por isso não há necessidade de revisão de vida, nem mudança de atitudes. Sim, velórios são momentos singulares capazes de gerar encontros que fortalecem vínculos inimagináveis em circunstâncias normais do dia a dia, por isso ele é também celebração da vida.

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